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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

- para raros


Meus secretos amigos
Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações. Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências… A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer… Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

(Paulo Sant'Ana)

One does not make friends. One recognizes them.
(Garth Henrichs)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Holmes tupiniquim

Jô Soares também fez questão de contar sua versão da história do famoso detetive Holmes e seu inseparável companheiro Watson.
Das páginas para a telona, O Xangô de Baker Street é narrado em três idiomas e conta as desventuras dos amigos ingleses em terras tupiniquins. Quem esperaria que Sherlock Holmes saberia falar português?
A trama se passa toda no Brasil e desvenda o segredo por trás de muitas lendas urbanas.



Vale a pena.
Vi o filme. Mas não dispenso a chance de ler o livro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

:)

"Acho a maior graça.
Tomate previne isso,
Cebola previne aquilo,
Chocolate faz bem,
Chocolate faz mal,
Um cálice diário de vinho não tem problema,
Qualquer gole de álcool é nocivo,
Tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas,
Acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer me faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar,
Mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas;
Incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!

Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada.
Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,
vem a vida e muda todas as perguntas."


(Luís Fernando Verissimo)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Déjeuner du matin


Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
.
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
.
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
.
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré
Jacques Prévert

segunda-feira, 25 de maio de 2009

- que livro você é?

"Antologia Poética", Carlos Drummond de Andrade.


"O primeiro amor passou
O segundo amor passou
O terceiro amor passou
Mas o coração continua"


Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poéticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano -aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta- emocionam você. Seu olhar é doce, mas também é perspicaz.
"Antologia Poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.


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Faça o teste, você vai se surpreender!
Então... que livro você é?